Espaço urbano e as necessidades de higienização social em crônicas de Lima Barreto e João Antônio
Palavras-chave:
Higienismo, Rio de Janeiro, Reforma Urbanística, Lima Barreto, João AntônioResumo
O início do século XX no Rio de Janeiro foi marcado por epidemias, como varíola e febre amarela. Para combatê-las, estiveram entre as ações, promovidas pela gestão pública, determinações de ordem higienista. Em paralelo a essa preocupação, ocorria na capital fluminense a reforma urbanística, a qual almejava, entre outros objetivos, adequar parte da cidade ao modelo de grandes capitais, como Paris. Assim, houve a demolição de antigos prédios que abrigavam cortiços, e a maioria de seus moradores foi obrigada a deslocar-se para morros ou subúrbios. Neste texto reflexiona-se como ações de ordem sanitária, muitas vezes, estão relacionadas ao ato de excluir uma parcela representativa da população para espaços distantes e com infraestruturas precárias. Verifica-se isto em dois momentos específicos dos textos de Lima Barreto (1881-1922), pertencentes à coletânea Toda crônica (2004), e de João Antônio
(1937-1996), em Casa de loucos (1976). Em ambos os autores discute-se condições insalubres e propensas a doenças a que são destinados os habitantes à margem social e o quanto tal propósito advém de interesses hegemônicos restritos. Essas reflexões são tecidas tendo por base as considerações de Bruno Carvalho em Cidade porosa: dois séculos de história cultural do Rio de Janeiro (2019).
