História Autêntica do Planeta Marte: uma leitura física, metafórica e metafísica da pandemia de 1918

Autores

  • Maria Luísa Malato Universidade do Porto, Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa Autor

Palavras-chave:

Utopia, Ecocrítica, Guerra, Doença, Gripe Espanhola, Ponto de Viragem

Resumo

José Nunes da Mata escreveu a utopia a História Autêntica do Planeta Marte em 1921, num contexto político complexo. A Europa estava então desgastada pela violência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e o clima político instável depois da Revolução Russa (1917) levava à emergência de ideologias novas, quer nas formulações democráticas quer nas formulações ditatoriais. Em Portugal, a (in)definição de um programa político republicano, depois da deposição do rei em 1910, conjugava-se com uma grande debilidade económica. A propagação geral, a partir do território francês, da chamada “Gripe Espanhola” (1918-1919) tornou-se, depois da “Grande Guerra”, uma metáfora da doença, não só das doenças físicas, mas também das doenças políticas, económicas, sociais. Mais de cem anos depois, esta utopia portuguesa é ainda uma pertinente “metafísica” da velha tetralogia apocalíptica: a Peste, a Guerra, a Fome e a Morte. Ela é ainda uma antecipação do “Ponto de viragem”.

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Publicado

2026-01-14